CONVERSANDO COM A VIDA ....

CONVERSANDO COM A VIDA ....
A grande prisão é a ignorância existencial; É eu não saber quem eu sou, nem de onde venho, nem para onde vou...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

O QUE FAZ DIFERENÇA !

Quando paramos e olhamos atentamente à nossa volta, vemos uma multidão de pessoas indo e vindo em turbilhões – algumas concretizando negócios, outras buscando oportunidades, algumas preocupadas e até desanimadas com a situação atual, outras aflitas em busca de conquistar seus objetivos e ainda muitas outras sem quaisquer perspectivas de vida. Em meio de tantas incertezas e transformações, qual o diferencial, nos dias de hoje, das pessoas e das organizações?

As possibilidades de aprimoramento somada a moderna tecnologia, passaram a ser um bem comum, disponível e acessível a todos. Hoje, o que faz a grande diferença nas organizações é o ser humano. Somente através das qualidades pessoais é possível ampliar resultados frente à acirrada competitividade do mercado. Então, cabe ao profissional desenvolver e aprimorar suas habilidades, pois quanto maior o volume de atributos pessoais, mais chances de conquistar uma oportunidade. E nisso as mulheres são especialistas.

Algumas características como a sensibilidade, afetividade, versatilidade, percepção aguçada, entre outras, que até pouco tempo eram consideradas fraquezas, hoje, passaram a somar e são consideradas essenciais no processo produtivo das organizações. Características que nós homens escondemos ou afogamos para não parecermos frágeis. Em contrapartida, as mulheres sempre cultivaram como um dom, buscando sempre desenvolvê-las e amadurecê-las em cada situação.

Diferenças entre o perfil masculino e feminino no trabalho são sensíveis, mas não devem ser generalizadas. O que antes era considerado como obstáculo – a divisão entre problemas domésticos e necessidades profissionais –, hoje a mulher já consegue equilibrar esses dois desafios de sua vida. Sua participação no mundo dos negócios e a própria independência financeira vêm mudando a forma com que os produtos e serviços são desenvolvidos, comercializados e distribuídos.

Sabemos que as mulheres têm maior atividade econômica do que nunca e que estão em posições cada vez mais importantes. Pesquisas demonstram crescimento constante na participação da mulher em cargos mais altos das empresas. Cargos que antes eram ocupados pelos homens, hoje contam com a participação feminina.

Uma coisa é certa. A mulher de hoje e do futuro estará cada vez mais sendo chamada à responsabilidade profissional, familiar e social, sem perder suas características fundamentais de carinho, dedicação e ternura.

Por isso, é primordial que você, mulher, não deixe passar as oportunidades de aprimoramento, quer seja pessoal ou profissional. Você é um dos diferenciais de mercado e quanto mais se conscientizar e buscar o aprimoramento, maior será o espaço que ocupará dentro desse mundo repleto de transformações.

Então não seja apenas uma profissional, mas sim a melhor. É preciso trabalhar, batalhar, lutar e ir atrás daquilo que se quer. A recompensa do trabalho vem com a satisfação de se sentir bem, útil e estar produzindo algo que gosta realmente de fazer. Ouse, seja arrojada e não tenha medo de errar. Não pense se algo dará certo ou não, é preciso tentar, arriscar, traçar metas. Isso com certeza lhe trará o caminho para o sucesso.

*Roberto Shinyashiki é psiquiatra e autor de 11 títulos, entre eles "Amar pode dar certo", que completa 18 anos com a publicação de uma nova edição revisada e atualizada, em março. Para ler mais artigos do autor, acesse

segunda-feira, 27 de junho de 2011

FAÇA AGORA !

Amanhã eu vou, depois de amanhã eu faço, um dia eu aprendo. Vovó bem que avisava que deixar para depois o que se pode fazer agora não é boa tática. Os psicólogos Wallace Hetmanek* da Unati/Uerj, e Mariana Córdova do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), também da Uerj, concordam com ela. A mente fica sobrecarregada, eles garantem.

É hora de prestar mais atenção a você. Wallace Hetmanek e Mariana Córdova reuniram dez conselhos para você sacudir a poeira e retomar o controle de sua vida.

Seja positivo
E a vida irá lhe retribuir, trazendo sensações de prazer e satisfação. Ser positivo é também ter fé, acreditar nas oportunidades, na vitória, no mundo, esperando sempre o melhor da vida.

Torne-se presente
Fique atento ao presente, a você e à sua volta, o que irá possibilitar uma tomada de consciência muito valiosa das suas necessidades. Tendo controle sobre o funcionamento de seu corpo e mente, saberá, com tranquilidade, quando convidado a sair de seu eixo de equilíbrio e a hora de afastar-se ou de aproximar-se. Concentre-se no aqui e agora.

Reencontre-se
Resgate o amor por si e pelo próximo. Encontre o amor, o respeito e o perdão que lhe cabem dar e receber. Busque recuperar o amor, sentir seu coração aquecido, se permitindo experimentar o sentimento de bem querer a vida que envolve o estado amoroso. Uma boa forma de começar é sendo gentil com você mesmo!

Caminhe de acordo com os seus sonhos
Sonho é feito, no mínimo, para ser sonhado. Você tem o direito de querer ir para onde está indo, portanto, persista naquilo que é verdadeiramente importante para você, faça isso por você e pelas pessoas que ama.

Planeje
Tenha rotas e planos sobre a vida e o que quiser melhorar. Crie recursos e os desenvolva. Sejam esses recursos pessoais, profissionais, amorosos ou de qualquer tipo. Desenvolva também sua capacidade de planejar e lembre-se que os planos precisam da sua ação para acontecer.

Cometa erros
Lembre-se: podemos sempre vencer em nossa mente, depende da maneira como a usamos. Há sempre espaço para as vitórias, não se preocupe tanto com os seus “erros”, pois eles fazem parte de um tipo de aprendizado e, em geral, têm a ver com culpa, que quase nunca ajuda muito. Torne-se presente e verifique se seu erro não está no passado, numa avaliação crítica, se for assim, talvez tenha sido o melhor que fez naquelas circunstâncias específicas. Desculpe-se, quando a situação permite, pois você usou o melhor de seus recursos.

Estique sua mente e seu corpo
Troque afeto, compartilhe experiências, enriqueça seu repertório de carícias. Experimente algumas das formas de estar no mundo, mudando de caminho em sua rotina, converse com desconhecidos em espaços públicos, pergunte, olhe mais acima e mais por baixo. “A mente é como um paraquedas, funciona melhor aberto”, diz Hetmanek.

Assuma as responsabilidades sobre suas ações
É a melhor maneira de estar em contato com o seu Adulto. É queando você pode experimentar sensações de integração, de maior autoconfiança e abrir mão de sentir-se culpado. Antes de apontar o dedo para o outro, faça o exercício de atribuir a você a responsabilidade por algo que não saiu como esperava ou desejava.

Olhe mais para você
Abra mão de querer ter o melhor de outras pessoas, o tempo todo. Essa atitude não é justa com você, os seus sonhos e o seu próprio tempo.

Mantenha o foco
Mantenha o foco em sua felicidade, pois, como tudo aquilo que você foca, ela irá se expandir. Decida com o coração e a cabeça nas horas difíceis. Diante do que quer, não titubeie, vá à luta e conquiste.

domingo, 26 de junho de 2011

Unidas pela Vida!: A historia da Gabi e da Gigi no programa MIXBOX

Unidas pela Vida!: A historia da Gabi e da Gigi no programa MIXBOX: "Este programa foi feito pelo querido amigo e apresentador do programa MIXBOX da TV Litoral de Peruibe, Douglas Fiorenza, e exibido ontem as ..."

POR QUE VOCÊ ESTÁ SÓ ?

As pessoas têm idéias erradas sobre o amor; como a de que, quando amamos, não precisamos de nada mais. Outro erro é confundi-lo com a excitação e a euforia do início da união. Esses mitos prestam um grande desserviço ao amor. Ao se livrar deles fica mais fácil encontrar parceiros e estabelecer relações mais criativas e duradouras. Há muitas crenças falsas sobre o amor. Uma delas defende que "é bom em si e, se amarmos, não precisamos de nada mais"; outra propõe que "surge do nada e é eterno".

A idéia de que o sentimento é sempre bom sugere que deveríamos amar sem problemas; já a de que surge do nada indica que temos de esperar por ele, em vez de procurá-lo. É também um absurdo pensar no amor como um sentimento e depois queixar-se de que não é duradouro. Sentimentos mudam.

Aquela emoção inebriante e arrebatadora ligada ao sexo prolonga-se por algumas horas; ou poucos dias; a excitação e a euforia talvez duram meses, mas isso ainda é um tempo curto no calendário do amor. O clímax de um bom romance não ocorre logo nos primeiros capítulos, quando ainda faltam 500 páginas para o final. Assim, ficar vidrado nas sensações calorosas e borbulhantes nos momentos iniciais pode nos fazer confundir excitação com amor.

A paixão desenfreada é uma idealização e freqüentemente consiste apenas no sentimento de excitação, às vezes, avassalador. Na verdade, a idealização de quem amamos é o que em grande parte faz do amor uma emoção tão desejável; não há nada de errado em vermos a pessoa amada como "o ser mais maravilhoso do mundo". Só que a idealização tem seu preço: torna o amor maior do que o companheirismo e desejo sexual, pois envolve a glorificação do outro. Aí a levamos ao extremo: procuramos alguém que nos ame totalmente, sem compromissos anteriores, sem paixões recolhidas. Mas é quase impossível encontrar alguém que tenha uma história assim, uma vida sem amores vividos, fracassados ou perdidos.

O problema é que, quando existe exigência excessiva pela perfeição do outro, despimos a pessoa amada da realidade, ela é esmagada com expectativas impossíveis e posta num pedestal, podendo cair a qualquer momento; ou a vemos como alguém que não atingiu seu potencial, não conseguiu realizar-se e acaba sendo fonte de decepções.

Ao contrário de nossas expectativas, o amor não é "a resposta" para tudo; apresenta tanto soluções quanto problemas. Amar, por outro lado, não é entrar num mundo onde não existam desilusões, medos, ciúme, raiva. A idealização do amor tem, portanto, um custo. Não é verdade que tudo de que precisamos é estar amando; necessitamos também de trabalho, de pagar o aluguel, de amigos fiéis, de boa dose de coragem.

A excessiva idealização nos faz pensar no amor como garantia em vez de desafio, numa coisa fixa, não num processo de vaivém, ou seja: ora ele se manifesta, ora não. Esperamos sentir mais do que realmente sentimos e, por isso, desconfiamos de nós mesmos. Acontece que, como qualquer outra emoção, o amor varia de intensidade. E, como a maioria de nós não é capaz de manter um delírio febril por muito tempo, aparecem as dúvidas chatas: "Será que eu ainda o (a) amo?". É como se o amor fosse real só quando é explposivo, obsessivo, quando nos absorve totalmente.

O amor, como todas as outras coisas, deve encaixar-se na vida e, em geral, ela é cheia de problemas e obrigações. Como pergunta, de forma contundente, o filósofo americano Robert Solomon em seu livro O Amor (Editora Saraiva), "por que nos recusamos a admitir que o amor possa ser de meio período", como ocorre com a tristeza, a alegria e os outros sentimentos? Ele continua: "No amor, não queremos só sexo e segurança, mas também felicidade, companhia, diversão, alguém com quem viajar, sair, alguém de quem depender nas horas difíceis...

Portanto, o amor é um estimulante emocional poderoso, que pode parecer milagroso, porém tanto destrói vidas quanto as salva. E ninguém vende um remédio milagroso aos fregueses sem mencionar os efeitos colaterais ou a dosagem ideal". Esses mitos prestam um grande desserviço ao amor. Quem se liberta deles pode ter mais facilidade para encontrar parceiros e estabelecer relações criativas e duradouras.

*Maria Helena Matarazzo é sexóloga e publicou, entre outros livros,Guerras Eróticas (Editora Gente)

sexta-feira, 24 de junho de 2011

MANIA DE QUERER !

Tenho insistido no fato de que todos nós temos uma sensação de buraco, de que falta alguma coisa. Temos, pois, um sentimento de inferioridade, que é universal. Ele está presente em todas as pessoas, inclusive naquelas que se mostram autoconfiantes e orgulhosas de si mesmas são apenas criaturas mentirosas, além de competentes em artes cênicas.

Foi a constatação dessa sensação que levou o poeta a afirmar: "é impossível ser feliz sozinho". Ou seja, a sensação da harmonia que buscamos só poderá ser encontrada a dois, na união amorosa. Essa foi também a posição que assumi nos últimos vinte anos. Defendi o amor romântico, a aliança intensa e forte entre um homem e uma mulher, como o grande remédio para o desamparo que nos acompanha. Ressaltei que a sensação de desamparo vinha aumentando, pois, até algumas décadas atrás, o aconchego era resultado da forte aliança que unia as famílias em clãs.

As grandes famílias rurais, cheias de filhos, sobrinhos e tios, crentes em Deus e que, juntas com outras famílias, formavam comunidades onde todos se conheciam, traziam grande atenuação para o desamparo. É claro que tudo tem um preço. Nesses grupos não havia espaço para a individualidade, opiniões divergentes ou excentricidades.

A vida nas grandes cidades é hoje bem mais livre e tolerante para com o exercício de uma forma pessoal de ser. Por outro lado, a sensação de solidão cresceu muito. Usamos essa palavra - de forte conotação negativa que provoca pavor só de ser pronunciada - para definir a dor que deriva de nos sentirmos incompletos. Acho que a solidão envolve também uma certa vergonha, como se a pessoa sentisse menos competente para encontrar um parceiro. Poderia, porém, ser diferente: talvez deveríamos ter orgulho da nossa capacidade de ficar sós, coisa difícil e que nem todo mundo consegue.

O amor romântico apareceu como o grande neutralizador da solidão crescente, que chegou com a industrialização e com a migração para os centros urbanos. No passado, o casamento se realizava por meio de arranjos familiares agora, é fruto do amor, da escolha voluntária dos jovens, mais donos de suas vidas e seus destinos. O amor apareceu - e foi louvado por todo mundo, inclusive por mim - como o grande remédio para o nosso desamparo, como algo que nos permite sentir a completitude e a harmonia perdidas, mas presentes em algum canto na nossa memória.

Na prática, porém, as coisas não vêm se passando exatamente como prevíamos. O conto de fadas, no qual embarcamos, tem esbarrado em vários obstáculos. O maior deles deriva de uma tendência para o crescimento da nossa individualidade. Continuamos sonhando com o amor, é verdade mas estamos cada vez menos dispostos a fazer concessões, a ceder às pressões do parceiro. O desejo romântico quer o par sempre junto, ao passo que cada indivíduo pode estar interessado em ir para uma direção diferente. Aí se trata uma inevitável e cansativa luta pelo poder, na qual ninguém fica satisfeito.

É nesse ponto das reflexões que me fiz uma pergunta: somos mesmo incompletos ou apenas nos sentimos assim? Confesso que fiquei meio atrapalhado, perturbado mesmo, quando deparei com uma resposta óbvia, mas que jamais tinha me ocorrido. A sensação de incompletitude não é obrigatoriamente a expressão de um fato. O trauma do nascimento nos marca e provoca essa sensação. Mas somos indivíduos inteiros e completos. Pensar assim poderá nos conduzir a uma fascinante aventura.

*Flávio Gikovate é médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor. Autor, entre outros livros, de "Ensaios sobre o Amor e a Solidão", "A Liberdade Possível" e "A Arte de Educ

quarta-feira, 22 de junho de 2011

AS CONTROLADORAS !!!

Elas querem saber onde estão seus companheiros e o que seus filhos fazem "a esta hora ainda fora de casa" preocupam-se excessivamente com a saúde dos seus pais e de outros parentes queridos. As mulheres controladoras temem que qualquer titubeio ou desatenção traga conseqüências desastrosas. Acreditam que as coisas estão calmas graças ao empenho que têm em se concentrar o tempo todo nelas. Sabem que gastam enorme energia nesse esforço, mas acham que seu sacrifício é responsável pela conquista de longos períodos de concórdia e bem-estar.

Essa tendência não é exclusividade das mulheres, mas vou refletir sobre a questão, aqui, considerando apenas o aspecto feminino. Mulheres controladoras tendem a ser muito ciumentas em relação aos seus maridos. À noite, fazem aquelas perguntas aparentemente sem importância, mas que expressam um desejo enorme de saber exatamente por onde andaram esses homens –que, segundo elas, estão sempre dispostos a viver aventuras românticase eróticas. São possessivas também com os filhos, que tentam manter sob suas asas.

Diante de qualquer suspeita de que algo escapou do controle, entram imediatamente em pânico. Experimentam um desespero brutal ao imaginar seus maridos com outras mulheres e terríveis desastres envolvendo seus filhos. Tudo isso acontece sempre que algum deles se atrasa uns poucos minutos. Suas mentes são catastróficas e pessimistas.

A verdade é que não sabemos nada do que realmente importa. Não sabemos de onde viemos, para onde vamos, por quanto tempo estaremos aqui na Terra, nem quais as coisas boas e más que ainda estão para acontecer. Nem todos toleram bem essa falta de respostas. Aliás, aprender a lidar com a incerteza em torno da nossa condição é fundamental para que consigamos viver de forma mais feliz. Quem aceita isso sabe que o futuro é desconhecido e o compara a um jogo, como se estivéssemos em um grande cassino onde, todos os dias, podemos ganhar ou perder.

Pessoas que não suportam a idéia da incerteza vivem em um estado de permanente ameaça, a um passo do pânico e do desespero. São criaturas frágeis, pois não se sentem com força para suportar as frustrações e decepções que a vida pode nos impor a qualquer momento. Vivem eternamente preparadas para o pior. Como não podem se assegurar de que as coisas vão dar certo, optam pela certeza de que vão dar errado. E essa certeza nós conseguimos ter, uma vez que induzimos os fatos na direção negativa com muito mais facilidade do que na positiva. Por exemplo, a mulher que teme ser abandonada por um homem poderá se comportar de modo tão desagradável e destrutivo que irá contribuir para que seu pesadelo vire realidade.

É difícil conviver com mulheres tão negativas. Ainda que nem sempre seja sua intenção, elas exercem controle total sobre aqueles que lhe são caros. Transformam-se em tiranas, em criaturas que tentam mandar em tudo e em todos, sempre com o intuito de impedir as desgraças. Aborrecem aqueles que mais amam, além de tornar suas próprias vidas miseráveis. E, pior do que tudo, não conseguem impedir tragédia alguma. A única saída é aceitar a vida como ela é.

*Flavio Gikovate é médico psiquiatra, psicoterapeuta e escritor. Autor, entre outros livros, de "Ensaios sobre o Amor e a Solidão", "A Liberdade Possível" e "A Arte de Educar".

terça-feira, 21 de junho de 2011

VOCÊ AMA DEMAIS ?

Estou certo de que todos, ao lerem o título, dirão que sim. Que amam, que se entregam de corpo e alma. E é disso que falo: o cuidado que devemos ter no amor.

Amar, decerto, é compromisso, entrega, mas não podemos ultrapassar os limites do ser amado, nem deixar que ele ultrapasse os nossos. No relacionamento saudável, há uma troca, um compartilhamento, uma cumplicidade feliz. Cada um é cada um. Não existe "metade da laranja", nem "alma gêmea".

No amor maduro e real, não há duas metades se relacionando, mas duas pessoas, com suas próprias idéias, gostos e personalidades. Dois seres distintos que se unem por prazer e escolha. Não há sofrimento.

Para saber se você está vivendo um amor de verdade, basta sentir seu coração, sua alma. Você está feliz? Não? Então, não está amando nem sendo amado. Você vive os dias pensando no ser amado? Espera com, ansiedade o telefone tocar? Conta os minutos para o próximo encontro? Isso não é amor. É dependência, e faz sofrer muito.

O amor de verdade é sereno, faz bem à alma. Quando você ama de fato, não esquece seus amigos, seus hobbies ou o seu trabalho. Tudo é compartimentado, tem seu lugar na sua vida. Você se nutre um pouco de tudo e seu companheiro ou companheira vem acrescentar. Você o(a) escolheu, mas não precisa dele(a).

Precisar não é amar. Canções nos incutiram por décadas a idéia de que amar é sofrer, chorar, sentir saudades e ciúmes. Essa visão não condiz com o verdadeiro amor e sim, com a falsa idéia do que é amor. Traduzindo, trata-se de dependência, e esta é um vício, uma doença a ser devidamente tratada.

Há que se atentar para outro detalhe muito importante: você é correspondida(o)? Recebe carinho, atenção, respeito, admiração na mesma intensidade? Ou seu amor é do tipo desligado, sempre ocupado para você? Se for assim, cuidado. Você está entrando em terreno perigoso e devastador. Querer quem não nos quer é sofrimento certo, perda de um tempo precioso. E nem pense em mudar seu amado(a) se tem esta intenção, vai sofrer uma grande frustração. Provavelmente você vem de uma família na qual cresceu uma criança ávida pelo amor do pai ou da mãe. Ou ainda, sofreu abusos ou repressão, trazendo dentro de si uma criança assustada e triste.

Portanto, preste muita atenção: se amar para você é uma escolha, está no caminho certo. Mas se você precisa de alguém para amar, alguma coisa está fora do lugar. O melhor "norte" para seu caminho é o auto conhecimento. Entretanto, se você está confusa(o) e já não sabe mais se ama ou se precisa, se está apaixonada(o) ou dependente, misturando tudo no caldeirão de suas emoções, é hora de procurar ajuda, pois você tem o direito e o dever de ser feliz. Não dependa.

*Paulo Plaisant é Psicanalista com formação pelo Centro Avançado de Psicologia de MG, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise e da Sociedad Iberoamericana de Derecho Medico-Uruguay.